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Escassez de mão-de-obra qualificada atinge setor automóvel em Portugal

A Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA) revela que a falta de pessoal qualificado é um dos maiores obstáculos para o comércio e reparação automóvel.

09/07/2025 15:40
Escassez de mão-de-obra qualificada atinge setor automóvel em Portugal

As dificuldades enfrentadas pelas empresas de reparação e comércio de automóveis usados em Portugal, principalmente a falta de pessoal qualificado, foram destacadas num relatório recém-divulgado pela Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA).

Segundo o inquérito anual da ANECRA, 48% dos 212 comerciantes de automóveis usados que participaram indicaram a carência de mão-de-obra habilitada como o desafio mais significativo. Outros problemas mencionados foram os custos de promoção digital (44%) e as garantias prolongadas (38%).

Além disso, o documento revela que em 2024, 60% das viaturas usadas foram comercializadas por valores inferiores a 20.000 euros. Os segmentos médio (34%) e médio baixo (25%) destacaram-se como os mais vendidos, enquanto cerca de 70% dos comerciantes vendem, em média, até 10 veículos por mês, com apenas 7% a vender mais de 25.

A estrutura do mercado de usados é bastante dispersa, com 86% dos comerciantes a operar apenas um local e 11% a ter dois pontos de venda. Em termos de faturação, cerca de dois terços das entidades inquiridas reportaram receitas anuais abaixo de um milhão de euros, enquanto apenas 3% superaram os cinco milhões.

Adicionalmente, 64% dos participantes atuam como intermediários de crédito, sendo que metade das viaturas são financiadas pelos próprios comerciantes. Para o presente ano, 48% preveem resultados superiores a 2024, enquanto 18% esperam tratamento mais desfavorável.

No que diz respeito à reparação automóvel, a situação é semelhante, com 74% dos 253 profissionais entrevistados a identificar a falta de pessoal qualificado como a maior dificuldade, seguida pelos custos de gestão ambiental (39%) e concorrência desleal (33%).

Roberto Gaspar, secretário-geral da ANECRA, corroborou estes dados em declarações à Lusa, mencionando a escassez de mão-de-obra nas áreas de bate-chapa, pintura e mecatrónica, esta última que anteriormente não sentia a mesma pressão, mas que agora também começa a visar desafios.

Mais de 90% das oficinas de reparação relataram resultados positivos para 2024. O preço-hora de reparação aumentou 7,9% comparativamente a 2023, atingindo uma mediana de 34,03 euros (sem IVA), e 57% das empresas afirmaram já ter subido ou tencionar aumentar os preços em 2024.

As viaturas elétricas representaram apenas 2% das assistências e 1,7% da faturação, com um preço-hora medianamente estabelecido em 36 euros (mais IVA).

O estudo da ANECRA revela ainda que a mediana de funcionários nas empresas é de cinco produtivos e dois não produtivos, sendo os bate-chapas os mais velhos, com uma média de 49 anos. As faturações mensais variaram entre 10.000 e 25.000 euros para um terço das empresas, enquanto mais de 40% superaram este valor. As peças usadas em reparações representam menos de 25% em mais de 90% das oficinas.

Por sua vez, um terço dos comerciantes estabeleceu acordos com seguradoras, e uma em cada quatro com gestoras de frotas, sendo que 71% possui convénios com clientes que operam grandes frotas.

O relatório mostra que, no ano anterior, a mediana de obras por reparador foi de 850, das quais 60% foram realizadas para clientes particulares.

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